quinta-feira, 25 de março de 2010

Sutil e contundente

Inconformidade com o mundo contemporâneo, com a violência urbana, com o conflito entre nações e com a displicência em relação aos problemas ambientais são questões fortemente discutidas na seqüência de obras da mostra Tensões, de Guido Heuer. A reflexão é da crítica de arte Nadja Lamas, curadora da exposição com abertura agendada para o dia 1º de abril na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis.
Embora embuída de carga política e com um suporte que inclui em boa parte de suas peças elementos com densidade elevada, como a tinta acrílica e automotiva, inox, madeira, metal gravado, vidro, fórmica, e betume, a arte de Guido Heuer avança por um território semântico delicado e engenhoso.
Nadja considera que as transformações poéticas do artista não são bruscas. Ocorrem de forma calma, mas com firmeza. “De maneira sutil, mas contundente”, avalia. Toda esta carga significativa da obra do artista vão estar expostas em nove objetos e uma vídeo instalação nas salas de exposição no interior da fundação e de uma escultura de um perturbador mosquito de alumínio e inox com três metros de altura no jardim da casa.
Artista maduro, atualmente com 53 anos, Guido possui uma longa trajetória. Nascido em Blumenau, já na infância descobriu o gosto pela arte dentro da própria família. Seu avô, Johannes, tinha um ofício raro: moldar peças mortuárias em bronze.
Era a gênese do processo criativo de Guido, pelo menos sob o ponto de vista material. O artista passava as tardes na oficina do avô. Na maioria das vezes apenas observando e descobrindo os princípios da transformação do metal e o manuseio de elementos químicos, soldas e reagentes.
Em 1971, aos 15 anos, começa a estudar arte e sua carreira artística, já no início, se dá entre os grandes artistas. Sua estréia é na galeria Açu-Açu, criada no mesmo ano pela escultora Elke Hering, pelo poeta Lindolf Bell, e pelo escritor e crítico Péricles Prade e sua esposa Arminda.
Já nos primeiros anos da década de 70, dividiu espaço em coletiva com Martinho de Haro, Meyer Filho, Sílvio Pléticos, Eli Heil, Elke Hering e Mario Avancini, além de Rodrigo de Haro e o então grupo dos novos, que incluía Antonio Mir, Jayro Schmidt, e Luiz Henrique Schwanke. Na mesma época, também participava de mostras com seu amigo, quase tão jovem como ele, Rubens Oestroem.
O salto de Guido Heuer, conforme situa o jornalista Joel Gehlen, no livro “As Idades do Metal – A Arte de Guido Heuer”, organizado por Dennis Radünz e publicado pela editora Nauemblu, ocorre no final dos anos 70, quando o artista expõe seus “metais gravados” na Maison de France, no Rio de Janeiro. Gehlen observa também que a década de 80 foi vivida sob o signo da inquietação. Nascido às margens do rio Itajaí-Açu, o artista absorve em sua obra a flora abundante, principalmente a madeira.
Os anos 90 marcam a visibilidade de Guido no mercado internacional, com exposições nos Estados Unidos, Alemanha, Áustria, Londres. Expõem no exterior mas sua presença no cenário urbano de Santa Catarina permanece latente, com painéis em Blumenau, Itapema e Florianópolis, e obras de grandes dimensões em fachadas de edifícios de Balneário Camboriú, formando uma galeria aberta pelas ruas da cidade litorânea.


A obra do artista pode ser visitada em www.guidoheuer.com.br.

Nenhum comentário:

Postar um comentário